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Religiosidade, AIDS e a Noção de Cuidado novembro 30, 2007

Posted by psicologiadareligiao in cuidado, HIV-AIDS, Saúde e Religiosidade, Winnicott.
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DIA 01 DE DEZEMBRO É O DIA MUNDIAL DA LUTA CONTRA A AIDS

 

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(Imagem retirada do site: http://balloon.wordpress.com/2006/12/01/worldaidsday/)

 

A Banda Britânica Queen (grupo nomeado embaixador oficial da campanha global de Nelson Mandela contra a AIDS) lançará neste sábado, dia 01 de dezembro, uma música que poderá ser baixada gratuitamente na internet, como parte da campanha pelo Dia Mundial da luta contra a AIDS. A Folha online comenta que “a canção ‘Say It’s Not True’ foi escrita pelo baterista Roger Taylor em 2003 e inclui no vocal o cantor do grupo Free, Paul Rodgers.

 

Segundo a Folha, o baterista Roger Taylor declarou:

 

Ao disponibilizar esta canção para ser baixada gratuitamente pela internet esperamos ajudar Nelson Mandela em sua campanha, que envia a mensagem de que ninguém está livre da infecção”.

Mandela, por sua vez, faz-nos um alerta sobre a responsabilidade de todos nós frente a essa questão.

 

Temos que conhecer o tema, proteger-nos e proteger aqueles que amamos. Está em nossas mãos deter esse flagelo”.

 

 

O engajamento da banda na campanha mundial contra a AIDS e a fala de Mandela nos remete à noção winnicottiana de cuidado. A noção de cuidado em Winnicott – como eu a compreendo – diz respeito ao cuidado de si em simultaneidade ao cuidado do outro. A luta contra a AIDS – em termos de prevenção – passa, obviamente, também, por essa postura de cuidado de si e do outro.

 

Mas há milhares de pessoas no mundo já infectadas pelo HIV. Elas também necessitam de cuidado. Nesse sentido, vale a pena lembrar o alerta de Pargament aos profissionais da saúde, sobre a importância de identificar no “enfrentamento religioso” as potencialidades de suporte ou de prejuízo. Faria e Seidl apresentam uma importante reflexão sobre o tema do enfrentamento religioso em pessoas portadoras do vírus HIV.

Sigamos refletindo sobre o assunto a partir do apoio dos textos abaixo:

 

Faria e Seidl – Religiosidade, enfrentamento e bem-estar subjetivo em pessoas vivendo com HIV-AIDS

 

Acesse, também: Fatores de proteção relacionados à promoção da resiliência em pessoas que vivem com HIV/AIDS

 

A canção “Say it’s not true”, da Banda Queen, estará disponível para downloads a partir do dia 01 de dezembro, o Dia Mundial da Campanha, nos seguintes endereços:

www.queenonline.com

http://www.46664.com/index.php

http://www.queenpluspaulrodgers.com/

http://www.paulrodgers.com/

Sobre a noção de cuidado, veja também os posts:

Os olhares do cuidado: dimensões da integralidade em saúde

Do sentimento de culpa à noção de Concern 

Anjos e Demônios – o caso  da menina presa em cela com 20 homens: salva da barbárie por um anjo anônimo

Anjos e Demônios – o caso da menina presa em cela com 20 homens: salva da barbárie por um anjo anônimo novembro 27, 2007

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Adolescente presa

(Foto de Marlene Bergamo – extraída da Folha de São Paulo – 25.11.07)

O título do post é para provocar a nossa reflexão acerca de anjos, demônios e a prática do cuidado como capacidade ética

Sim! Eles estão em toda parte! Anjos e demônios andam por aí – “entre” (?) nós…

O caso da jovem adolescente, presa numa cela com 2o homens, tem sido amplamente divulgado nos últimos dias, tanto pela mídia nacional como internacional. Trata-se de uma situação que choca as pessoas com um mínimo de sensibilidade. Os jornais dão conta de que a prisão da menina de 15 anos ocorreu em razão de uma “acusação de furto”, ou “tentativa de furto”, como diz a Folha de São Paulo. Obviamente, a prisão da adolescente não pode ser compreendida como “medida legal” em relação ao suposto delito. Causa mal-estar citar as razões óbvias pelas “(des)medidas” tomadas por pessoas que ocupam posição de poder e têm a função de realizar a segurança da população. O argumento do desconhecimento da idade exata da garota não justifica a contundente falta de humanidade que o caso expõe. Foi uma barbárie! Um detalhe que causa surpresa: a prisão foi ordenada por uma delegada, uma mulher! E o que é ainda pior: a garota foi mantida nessa condição de violência e tortura por quase um mês com conhecimento de quase toda a cidade.

A pergunta, pois, que surge espontaneamente é: “Como uma coisa dessas pôde acontecer?” “Por quê ninguém denunciou?”

A resposta é terrível. Na reportagem de Laura Capriglione e Marlene Bergamo, a tia de um dos presos transferidos responde que a razão do silêncio foi “medo de morrer”. E justifica:

“Se a delegada põe uma menina na cela com os homens, e a juíza mantém ela lá, quem sou eu pra denunciar. Aliás, denunciar para quem?”

 

Esse acontecimento trágico só recebeu (ou está recebendo) um outro destino porque “no dia 14, finalmente, o Conselho Tutelar de Abaetetuba recebeu uma denúncia. Anônima.”

Um anjo anônimo salvou a garota da barbárie a que estava submetida perpetrada e patrocinada pela instituição do Estado.

Não pretendo fazer desse post simplesmente um desabafo indignado, apesar do sentimento de profunda tristeza e horror que esse fato nos provoca. Penso que se faz relevante pensar, num momento como esse, a respeito da carência de anjos na sociedade contemporânea. De demônios já estamos “cheios” – por dentro, por fora, andando entre nós e dentro de nós. É mais simples acusar as pessoas diretamente envolvidas nessa barbárie e nos indignarmos com o fato, apaziguados pelo pensamento de que tais atrocidades foram cometidas não por nós, mas pelos outros (ou “pelas outras”).

É bem possível que outras pessoas na cidade tenham se indignado pela situação. Provavelmente até reagiram: expressaram medo, raiva, piedade, torpor, etc. Mas só uma pessoa foi capaz de agir sobre a situação, não simplesmente reagir a ela. Um anjo? Caído do céu para salvar a garota? Alguns diriam que sim! Talvez pelo sentimento de que uma atitude como essa: ativa, libertadora, que se move sobre a compreensão de uma auto-responsabilização pela condição desumanizada vivida pelo outro, é tão rara que alguém com tais traços só pode ser “sobrenatural”- um anjo! Sobre a mesma lógica se “demoniza” os perpetradores e as perpetradoras das barbáries – tais pessoas seriam tomadas como demônios, não poderiam ser consideradas como pessoas comuns, humanas: como você e eu!

Entretanto, acredito que necessitamos mais do que indignação. Mais do que espaço para expressar nosso espanto sobre as barbáries que nós – seres humanos – somos capazes de realizar. Necessitamos pensar, inventar alternativas de vida construídas a partir de uma visão que ultrapasse análises maniqueístas tais como anjo/demônio, mal/bem, etc .

Talvez pudésemos ser, de algum modo enriquecidos mesmo em meio a essa tragédia, se pudéssemos nos juntar na construção de algumas medidas concretas e ativas face a tudo isso. E a pergunta, então, insiste aqui, outra vez:

Como desenvolver um modo de existência que expresse uma capacidade ética – uma ética que se baseia no cuidado? Cuidado, entendido aqui, como expressao da “capacidade de se preocupar”? Winnicott usa a expressão “capacidade” para se referir a presença ou ausência de condições para se lidar com o “entorno” onde desenvolvemos/compomos a nossa subjetividade. Para ele, a noção de “capacidade” implica construção, interação, criação que se faz a partir dos/nos encontros com o outro. Neste sentido, nada é “natural”, ou dado à priori. Trata-se de potência que se desenvolve, que se constrói. Cria-se, desenvolve-se certas capacidades: “capacidade de estar só”, “capacidade de sentir culpa”, “capacidade de acreditar”, e também, a “capacidade de se preocupar”. Esta última tem a ver com o cuidado de si que se constrói em simultaneidade ao cuidado com o outro. Exatamente o oposto de uma atitude de olhar para o próprio umbigo e preocupar-se apenas com o que diz respeito, ou o que cabe nas fronteiras do próprio eu. A capacidade de se preocupar considera o si em simultaneidade com o outro. O eu não se faz criativo quando desvinculado do outro.

Penso que podemos ser criativos nesse momento se buscarmos desenvolver a nossa capacidade de nos preocuparconosco e com o outro em simultaneidade . Nesse sentido, quais ações poderíamos criar para que, de fato, essa capacidade se apresente como potencial a ser desenvolvido numa dimensão tanto macropolítica quanto micropolítica?

Sinta-se à vontade para deixar aqui a sua sugestão e colaborar na construção de algo que possamos fazer em comum com vistas a desenvolver, coletiva e pessoalmente, a “capacidade de nos preocupar”.

Para acessar a reportagem da Folha de São Paulo clique aqui: Moradores sabiam que menina estava em cela de homens no Pará.

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A prática do cuidado e a função da religiosidade no enfrentamento da doença novembro 23, 2007

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O Professor Geraldo Paiva discute, num texto publicado em março/2007, pela Rever, o conceito de cura como cuidado e como recuperação da doença. Ele levanta, também, algumas questões acerca da competência da Psicologia para se pronunciar quanto à eficácia ou não do religioso na experiência de enfrentamento (coping) . O prof. Geraldo observa que

as pessoas cujo enfrentamento “religioso” tem a natureza de um enfrentamento “sagrado” mobilizam cognições, motivações, pulsões que dispõem uma nova configuração da existência e podem atingir, mediante o sistema imunológico, a faixa do biológico no homem.

Paiva aborda, ainda, o papel do/a psicólogo/a, do/a teólogo/a e do/a agente pastoral a partir de uma prática que saiba distinguir, em termos teóricos e práticos, as dimensões do religioso, do sagrado e do profano.

O texto completo pode ser acessado aqui: Religião, enfrentamento e cura: perspectivas psicológicas

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Cinema e Psicologia da Religião – “O Corpo” novembro 23, 2007

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The Body

O filme, “O corpo”, não é novo. Lançado em 2001, nos EUA, é dirigido por Jonas McCord e conta com Antonio Banderas e Olivia Williams nos papéis principais.

The Body (2)

Diz a sinopse do filme:

 

Numa escavação em Jerusalém, a arqueóloga Sharon Golban (Olivia Williams) faz uma importante descoberta: o esqueleto de um homem que foi crucificado e enterrado com uma inscrição que o proclamava “rei dos judeus”. Começa aí uma série de investigações para saber se o esqueleto encontrado é de Jesus, que, supunha-se, havia subido aos céus sem deixar nenhum rastro. Para reconhecer a autenticidade da descoberta, o Vaticano envia o padre Matt (Antonio Banderas), um jesuíta professor de História. Mas os dois pesquisadores encontrarão muitos obstáculos, arriscando suas vidas para encontrar a verdade.

 

O Vaticano manda o padre acompanhar as descobertas em função do que acredita ser uma ameaça à fé e à própria instituição, caso se confirme que o corpo encontrado é mesmo o de Jesus. Em outras palavras, a missão do padre Matt é preservar, a qualquer preço, a crença na ressurreição, independentemente das possíveis provas da descoberta em torno do corpo encontrado.

O filme gira em torno dessa questão: a da suposição de que a Religião cristã desmorona, caso a ressurreição de Cristo seja considerada um mito. O apóstolo Paulo já afirmava enfaticamente:

 

E, se Cristo não ressuscitou, logo é vã a nossa pregação, e também é vã a vossa fé. I Coríntios 15:14

E, se Cristo não ressuscitou, é vã a vossa fé, e ainda permaneceis nos vossos pecados. I Coríntios 15:17

 

No centro, pois, da questão, está justamente o “problema” que surge em razão do “corpo encontrado”. O filme provoca, desse modo, uma profunda reflexão que passa por interrogações tais como:

        Tem a fé cristã sido contruída sob a condição da “ausência do corpo”?

        Quanto o cristianismo depende, para sua continuidade, de um corpo (de Cristo e do próprio cristão) que se faz ausente ?

        Seria a ausência do corpo “problema-privilégio” só do cristianismo?

        Será mesmo que a fé cristã se dissolveria se o corpo de Cristo (e o do cristão) fosse “verdadeiramente” encontrado?

O prof. Osvaldo Giacóia, em estudo baseado em Nietzsche a respeito do inconsciente do século XXI, nos lembra que

o corpo éo fenômeno mais complexo, que deve ser tomado como ponto de partida para a compreensão dos processos mais simples, como, por exemplo, a consciência e sua faculdade de julgar. É ele o fio condutor, que poderá guiar até uma outra concepção de subjetividade, muito mais refinada, ampla e profunda do que a noção tradicional de unidade sintética da consciência. A unidade do sujeito, ou o conceito de ‘Eu’ formado a partir do fio condutor do corpo poderá, então integrar em si fenômenos e processos inconscientes, de modo algum privados de racionalidade; pelo contrário, um novo conceito de sujeito, que se apresenta como a grande razão do corpo.

“Encontrar o corpo” significa encontrar a potência de si, pois como diz Espinoza, “não sabemos sequer o que pode um corpo. Falamos da consciência, e do espírito, tagarelamos sobre tudo isso, mas não sabemos do que um corpo é capaz, quais são as suas forças nem o que é que elas preparam” (apud Deleuze, in: Nietzsche, p. 61).

Para continuar a reflexão a respeito do corpo (e do inconsciente), acesse o texto do Prof. Osvaldo Giacóia Jr.: O Inconsciente no Séc. XXI

 

Para entender Pós-Modernidade – cartografia da subjetividade contemporânea novembro 14, 2007

Posted by psicologiadareligiao in Eventos, Pós-Modernidade, produção de subjetividade.
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Convite

Quando escrevi o volume “Pós-Modernidade” compondo a série “Para Entender”, da Editora Sinodal, dei-me conta de ter feito nesse estudo uma “cartografia da subjetividade contemporânea”. O livro é de apenas 100 páginas, em dimensões de 12X 17 cm. Obviamente, não esgota um assunto tão complexo como é o da pós-modernidade, mas tendo como ponto de partida a arte brasileira, representada pela Antropofagia e pelo Tropicalismo, o assunto vai sendo apresentado em um modo que nos ajuda a compreender a polêmica em torno do tema e as (des)continuidades que compõem essa configuração que alguns teóricos caracterizam como pós-modernidade.

Queria apresentar neste post uma resenha do livro, mas em fins de semestre o tempo fica cada vez mais apertado. Farei isso num futuro próximo. Por enquanto, deixo aqui o convite para o lançamento do mesmo.

Você será muito bem-vindo/a! Apareça!

Morte, Sofrimento e as Dores de cada dia – o que “pode” a subjetividade hoje? novembro 14, 2007

Posted by psicologiadareligiao in Religião e Sociedade, sofrimento, subjetivação.
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Ressurreição de Lázaro

Sei que tenho repetido várias vezes, aqui mesmo, que no modo contemporâneo de subjetivação “é feio sofrer”. Vivemos hoje, sob a tirania do gozo, como se fosse proibido sofrer, como se o sofrimento fosse um “defeito”. É claro que ninguém quer sofrer. “Ninguém quer a morte, só saúde e sorte”, canta Gonzaguinha. Mas o sofrimento é uma experiência que faz parte da vida. Dizer isso não significa que temos de “desejar” o sofrimento como se fosse algo virtuoso, como se as experiências de sofrimento tivessem poder “de nos levar ao céu”. Mas exorcizá-lo como se fosse demoníaco nos impede de viver a vida em sua inteireza. A experiência de sofrimento – nossa ou do outro – pode ser uma oportunidade de nos tornarmos mais humanizados, criativos… mais capazes de dar consistência e sentido à nossa existencialidade.

Nem aceitar o sofrimento com resignação, numa atitude religiosa de “aperfeiçoamento” do espírito, nem exorcizá-lo como sendo atuação do demônio – mas acolher a dor e compartilhar o sofrimento nos torna mais fortes no sentido em que aumenta nossa potência de existir.

Com a indústria farmacêutica em alta é mais fácil lançar mão de um anti-depressivo, um ansiolítico, ou mesmo algo para nos ajudar a dormir. Também certas formas de religiosidade contemporânea, portando promessas de acabar com o sofrimento, tornam-se bastante atrativas. Em algumas ocasiões ou alguns casos, o uso de medicação realmente se faz necessário. Mas tem havido uma atitude generalizada de simplesmente querer afastar a dor a qualquer preço. É por isso que ficamos sem saber o que fazer com nossas próprias dores e lutos, e também com os lutos dos outros. Quando alguém em luto se aproxima e começa a falar da sua dor logo vem a tentativa de minimizar a situação, salientando as coisas boas da vida, mostrando os motivos que o outro tem para não se deixar abater, etc, como se não fosse permitido sofrer… Nesse momento, tudo o que o outro precisa é apenas um espaço de escuta e acolhimento para expressar a sua dor.

Quanto espaço temos permitido para nossas próprias dores e para as dores do outro? Quanto temos sido capazes de afirmar a vida em meio às dores do processo de existir?

Segue uma entrevista com o psiquiatra inglês, Colin Murray Parkes, publicada na Veja, em agosto desse ano sobre “A dor da morte”- vale a pena (re)lê-la.

A dor da morte

Acesse também:

Sofrimento como possibilidade de afirmação criativa da existência

Subjetivação contemporânea e Religiosidade novembro 3, 2007

Posted by psicologiadareligiao in culpa, forças de narcisação, forças reativas de narcisação, Igreja Universal do Reino de Deus, narcisismo, produção de subjetividade, sacrifício, subjetivação, vergonha.
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Qual é o papel, a função, ou mesmo a utilidade da religião no modo contemporâneo de subjetivação? Em especial, numa configuração social cuja “política de subjetivação” (criação de modos de existência) volta-se essencialmente para o indivíduo, seu prazer e bem-estar, de que modo as atuais formas de expressão religiosa se dinamizam?

Lembremos, como bem observa Rolnik, que cada configuração sócio-histórica cria suas próprias “políticas de subjetivação” para sustentar o seu próprio sistema. Ou seja, cada regime cria suas variações a respeito do lugar do outro e da política de relação que com ele se estabelece. Evidentemente, as religiões também participam das políticas de subjetivação vigentes – quer seja na promoção de uma religiosidade voltada à deglutição acrítica e reprodução do mesmo – quer seja pela potência de criação de alternativas de outros modos de existência. É claro que entre um pólo e outro, existem várias outras formas.

No texto: “Narcisismo reativo e experiência religiosa contemporânea” , faço uma análise da experiência religiosa promovida pela Igreja Universal do Reino de Deus (IURD), especialmente a partir da sua proposta de sacrifício (do dinheiro). Trabalho, no texto, com a “concepção de narcisismo ativo e reativo e defendo a idéia de que a prática do sacrifício, tal como proposta pela IURD, articula elementos do narcisismo reativo e estabelece-se como uma tecnologia do eu, usada como remédio para lidar com a experiência contemporânea da vergonha” (Esperandio, 2007, p. 19).

O texto foi publicado na Revista Psicologia & Sociedade, vol. 19, nr. 2. e você pode acessá-lo aqui: “Narcisismo reativo e experiência religiosa contemporânea: culpa substituída pela vergonha?”

Nas palavras da editora Cleci Maraschim, este número da Revista Psicologia & Sociedade “traz novamente uma série de artigos de pesquisadores que trabalham no campo da Psicologia Social e em suas interfaces com as Ciências Humanas, Sociais”. Você pode ter acesso ao conteúdo completo da revista, que está disponível também em formato online em: http://www6.ufrgs.br/seerpsicsoc/ojs/viewissue.php?id=14