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Morte, Sofrimento e as Dores de cada dia – o que “pode” a subjetividade hoje? novembro 14, 2007

Posted by psicologiadareligiao in Religião e Sociedade, sofrimento, subjetivação.
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Ressurreição de Lázaro

Sei que tenho repetido várias vezes, aqui mesmo, que no modo contemporâneo de subjetivação “é feio sofrer”. Vivemos hoje, sob a tirania do gozo, como se fosse proibido sofrer, como se o sofrimento fosse um “defeito”. É claro que ninguém quer sofrer. “Ninguém quer a morte, só saúde e sorte”, canta Gonzaguinha. Mas o sofrimento é uma experiência que faz parte da vida. Dizer isso não significa que temos de “desejar” o sofrimento como se fosse algo virtuoso, como se as experiências de sofrimento tivessem poder “de nos levar ao céu”. Mas exorcizá-lo como se fosse demoníaco nos impede de viver a vida em sua inteireza. A experiência de sofrimento – nossa ou do outro – pode ser uma oportunidade de nos tornarmos mais humanizados, criativos… mais capazes de dar consistência e sentido à nossa existencialidade.

Nem aceitar o sofrimento com resignação, numa atitude religiosa de “aperfeiçoamento” do espírito, nem exorcizá-lo como sendo atuação do demônio – mas acolher a dor e compartilhar o sofrimento nos torna mais fortes no sentido em que aumenta nossa potência de existir.

Com a indústria farmacêutica em alta é mais fácil lançar mão de um anti-depressivo, um ansiolítico, ou mesmo algo para nos ajudar a dormir. Também certas formas de religiosidade contemporânea, portando promessas de acabar com o sofrimento, tornam-se bastante atrativas. Em algumas ocasiões ou alguns casos, o uso de medicação realmente se faz necessário. Mas tem havido uma atitude generalizada de simplesmente querer afastar a dor a qualquer preço. É por isso que ficamos sem saber o que fazer com nossas próprias dores e lutos, e também com os lutos dos outros. Quando alguém em luto se aproxima e começa a falar da sua dor logo vem a tentativa de minimizar a situação, salientando as coisas boas da vida, mostrando os motivos que o outro tem para não se deixar abater, etc, como se não fosse permitido sofrer… Nesse momento, tudo o que o outro precisa é apenas um espaço de escuta e acolhimento para expressar a sua dor.

Quanto espaço temos permitido para nossas próprias dores e para as dores do outro? Quanto temos sido capazes de afirmar a vida em meio às dores do processo de existir?

Segue uma entrevista com o psiquiatra inglês, Colin Murray Parkes, publicada na Veja, em agosto desse ano sobre “A dor da morte”- vale a pena (re)lê-la.

A dor da morte

Acesse também:

Sofrimento como possibilidade de afirmação criativa da existência

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