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Cinema e Psicologia da Religião – “O Corpo” novembro 23, 2007

Posted by psicologiadareligiao in Cinema e Psicologia da Religião.
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The Body

O filme, “O corpo”, não é novo. Lançado em 2001, nos EUA, é dirigido por Jonas McCord e conta com Antonio Banderas e Olivia Williams nos papéis principais.

The Body (2)

Diz a sinopse do filme:

 

Numa escavação em Jerusalém, a arqueóloga Sharon Golban (Olivia Williams) faz uma importante descoberta: o esqueleto de um homem que foi crucificado e enterrado com uma inscrição que o proclamava “rei dos judeus”. Começa aí uma série de investigações para saber se o esqueleto encontrado é de Jesus, que, supunha-se, havia subido aos céus sem deixar nenhum rastro. Para reconhecer a autenticidade da descoberta, o Vaticano envia o padre Matt (Antonio Banderas), um jesuíta professor de História. Mas os dois pesquisadores encontrarão muitos obstáculos, arriscando suas vidas para encontrar a verdade.

 

O Vaticano manda o padre acompanhar as descobertas em função do que acredita ser uma ameaça à fé e à própria instituição, caso se confirme que o corpo encontrado é mesmo o de Jesus. Em outras palavras, a missão do padre Matt é preservar, a qualquer preço, a crença na ressurreição, independentemente das possíveis provas da descoberta em torno do corpo encontrado.

O filme gira em torno dessa questão: a da suposição de que a Religião cristã desmorona, caso a ressurreição de Cristo seja considerada um mito. O apóstolo Paulo já afirmava enfaticamente:

 

E, se Cristo não ressuscitou, logo é vã a nossa pregação, e também é vã a vossa fé. I Coríntios 15:14

E, se Cristo não ressuscitou, é vã a vossa fé, e ainda permaneceis nos vossos pecados. I Coríntios 15:17

 

No centro, pois, da questão, está justamente o “problema” que surge em razão do “corpo encontrado”. O filme provoca, desse modo, uma profunda reflexão que passa por interrogações tais como:

        Tem a fé cristã sido contruída sob a condição da “ausência do corpo”?

        Quanto o cristianismo depende, para sua continuidade, de um corpo (de Cristo e do próprio cristão) que se faz ausente ?

        Seria a ausência do corpo “problema-privilégio” só do cristianismo?

        Será mesmo que a fé cristã se dissolveria se o corpo de Cristo (e o do cristão) fosse “verdadeiramente” encontrado?

O prof. Osvaldo Giacóia, em estudo baseado em Nietzsche a respeito do inconsciente do século XXI, nos lembra que

o corpo éo fenômeno mais complexo, que deve ser tomado como ponto de partida para a compreensão dos processos mais simples, como, por exemplo, a consciência e sua faculdade de julgar. É ele o fio condutor, que poderá guiar até uma outra concepção de subjetividade, muito mais refinada, ampla e profunda do que a noção tradicional de unidade sintética da consciência. A unidade do sujeito, ou o conceito de ‘Eu’ formado a partir do fio condutor do corpo poderá, então integrar em si fenômenos e processos inconscientes, de modo algum privados de racionalidade; pelo contrário, um novo conceito de sujeito, que se apresenta como a grande razão do corpo.

“Encontrar o corpo” significa encontrar a potência de si, pois como diz Espinoza, “não sabemos sequer o que pode um corpo. Falamos da consciência, e do espírito, tagarelamos sobre tudo isso, mas não sabemos do que um corpo é capaz, quais são as suas forças nem o que é que elas preparam” (apud Deleuze, in: Nietzsche, p. 61).

Para continuar a reflexão a respeito do corpo (e do inconsciente), acesse o texto do Prof. Osvaldo Giacóia Jr.: O Inconsciente no Séc. XXI

 

Comentários»

1. Ezequiel Vieira - novembro 23, 2007

“”Encontrar o corpo” significa encontrar a potência de si.”

Lendo esse trecho lembrei da passagem que diz mais ou menos assim: “quem não comer da minha carne e não beber de meu sangue, não tem parte comigo”.

Minha interpretação: quem não corporificar Cristo nas ações cotidianas, como sendo O proprio, nao tem parte com Ele. Nao existe, necessariamente, transcendêcia aqui. Afinal, em alguma parte lá da bíblia fala que Deus é espírito, o que nao pode ser o mesmo que “carne e sangue”. Nao é uma vida estritamente espiritual e alheia ao que acontece em volta que deve ser vivida

Ainda nao consigo entender a ladainha de alguns cristãos de sempre esperar por uma vida eterna, aceitando que a vida é só dor etc etc

Enfim, eis que vejo que ficou um pequeno desabafo… rs

Ez

* * * * * *

Oi, Ez,

“corporificar” Cristo pode ser, sim, tê-lo como inspiração utópica para uma forma de vida que escapa ao modo dominante de subjetivação… podemos “transcender” a nós mesmos num processo constante/contínuo de diferenciação e afirmação criativa do nosso ser.
Um abraço,
Mary

2. larissa - abril 10, 2010

apenas um filme. so um filme. um filme como os outros… mais nada


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