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Saúde e Espiritualidade: a questão do sentido da vida julho 17, 2008

Posted by psicologiadareligiao in Espiritualidade, produção de sentido, Saúde e Religiosidade, Vitor Frankl.
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O psicoterapeuta e escritor Irvim Yalom, no primeiro capítulo do seu livro “Mamãe e o sentido da vida”, escreve:

Somos criaturas que buscam sentido, (…) que têm de lidar com o inconveniente de serem lançadas num universo que, intrinsecamente, não tem sentido algum. E assim, para evitar o niilismo, (…) temos de embarcar numa tarefa dupla. Primeiro, inventamos ou descobrimos um projeto que dê sentido à vida e seja vigoroso o bastante para sustentá-la. Depois, precisamos dar um jeito de esquecer nosso ato de invenção e nos convencer de que não inventamos, e sim descobrimos, o projeto que dá sentido à vida – convencer-nos de que ele tem uma existência independente ‘lá fora'”.

Um grande número de pessoas busca terapia em função de sofrimentos que giram em torno da questão do sentido, e expressam suas dores em frases como: “não tem sentido viver!”; “qual é o sentido de se continuar vivendo?”; “se ser feliz é o sentido da vida, então não mereço viver”, “não consigo encontrar felicidade na vida, por isso, acho que viver não tem sentido!”; “para que viver se sou tão infeliz?!”…

É óbvio que a busca de sentido para a vida representa uma questão existencial fundamental. A busca de sentido determina não apenas o que somos, o que fazemos, sentimos e pensamos, como determina também nossa qualidade de vida. Diante disso pode-se perguntar: O sentido da vida é algo que se descobre ou algo que se constrói? Sou da opinião que o sentido da vida se constrói em meio às condições de nossa existencialidade. O processo de criação de sentido é possibilitado sobre uma base que se apresenta, em parte, com sentidos já dados que entram em relação com “virtualidades de sentido ” (possibilidades de criação de sentido inéditos) – que emergem em função, justamente, do contínuo e permanente movimento de produção de sentido.

Mas há aqueles que não suportam a idéia de criação de sentido e buscam, angustiadamente, pelas ofertas prontas que se apresentam no mercado. Tais “kits de sentido” surgem como ofertas provindas da religião, do mercado de consumo, de ideologias várias, enfim… não importa a origem, muito menos os caminhos que eles apontam. Importa, sim que representem uma alternativa que pareça minimamente segura. É o que acontece, por exemplo, com certas formas de expressão religiosa na contemporaneidade que se organizam, justamente, sobre a idéia de que o sentido da vida já está dado: é ser feliz – felicidade aqui confunde-se com sensações de prazer alcançadas, em geral, pela via do consumo dos mais variados tipos de mercadoria: objetos, experiências, subjetividades, estilos, comportamentos, imagens, etc…

A religiosidade pode fazer parte do processo de construção de sentido da vida por um viés afirmativo, que favoreça a saúde integral, mas infelizmente, pode também compôr práticas de sentido que limitam a vida e suas formas de expressão, favorecendo assim, o empobrecimento da vida e aparecimento de adoecimentos vários.

María Izabel Rodríguez Fernández, argumentando sobre saúde mental e sentido da vida, observa que

el sentido de la vida es lo que da significado y ayuda a encontrar un soporte interno a la existencia. Sin dicho soporte interno, parece ser más probable que la psique se vuelva frágil y, por consiguiente, llegue a enfermar. Esto no quiere decir que la enfermedad psíquica se origine exclusivamente en la ausencia de sentido de la vida, sino que tal vez el sentido sea un factor importante para explicar, entender y prevenir la enfermedad mental, e incluso podría darnos pautas de cara a un tratamiento psicoterapéutico.

Por otra parte, nos atrevemos a lanzar la hipótesis de que en la enfermedad psíquica hay un intento fallido de encontrar un sentido o de construir una realidad inteligible en la que poder sobrevivir. Y parece que ese sentido puede llegar a ser más importante que captar la realidad en sí misma, sobre todo si dicha realidad resulta difícil de afrontar o de soportar, como muchos hemos podido comprobar en la realidad

Fernández apresenta uma reflexão bastante interessante sobre esse tema e conclui que o sentido da vida tem um peso importante na saúde mental da pessoa.

Si uno tiene claro cuál es su papel en el mundo, que está muy relacionado con el sentido que da a su vida y percibe el futuro de forma positiva (lo que también tiene relación con el sentido), es más probable que alcance y conserve su estabilidad mental. Por otra parte, la pérdida de sentido de la vida también puede ser consecuencia de una situación de depresión u otra patología psíquica que desenfoque la explicación del sentido de la propia vida y de las metas que la orientan, centrándose la persona que la sufre en los aspectos más negativos de la realidad y no en la búsqueda de un sentido a su existencia.

Leia o texto completo da autora aqui: la-cuestion-del-sentido-y-su-repercusion-en-la-vida-psiquica1

Comentários»

1. Felipe Salles Xavier - outubro 21, 2008

Olá querida,
Adorei o blog, ando procurando bons blogs para colocar nos meus favoritos! Amei o texto! Um abraço!

2. psicologiadareligiao - outubro 21, 2008

Oi, Felipe,

É claro que fico contente que tenha gostado do blog! Mas mais que isto, espero que vc se torne um colaborador nesse espaço, já que vc gosta de escrever e tem interesse nas reflexões nessa interface Psicologia e Religião! O que acha?
Um abraço,
Mary

3. Patrícia - dezembro 1, 2008

Gostaria somente de a felicitar pelo seu blog. Encontram-se aqui presentes, conteúdos muito interessantes e achei por bem, oferecer-lhe um feedback disso mesmo. Parabéns (desde Portugal)!

4. psicologiadareligiao - dezembro 1, 2008

Olá, Patrícia. Obrigada pelo feedback. Bom saber que o conteúdo construído e “agrupado” aqui tem sido relevante para as pesssoas que se interessam pelo tema.
Um abraço brasileiro a vc, irmã de Portugal,
Mary

5. Thays - abril 21, 2009

Oi, Mary!
hoje voltei a procurar coisas sobre Vitor Frankl, sou do Rio e sofro com a inexistência de logoterapeutas ou cursos por aqui… Já não era sem tempo de criarem uma formação à distância!

Gostei do que você escreveu, e vou pegar o seu filminho de youtube – vou atualizar meu blog por estes dias.

Um abraço!

psicologiadareligiao - abril 21, 2009

Oi, Thays,
De fato, é uma pena que esse autor tão importante seja tão pouco estudado na Psicologia!

Este blog também tem estado desatualizado, mas espero que isso mude em breve.
Um abraço,
Mary

6. Luis Dhein - janeiro 4, 2010

Olá Mary.
Sou professor, e tenho me interessando cada vez mais por essa temática. Quero também dizer que venho acompanhando o seu blog já faz um tempinho, e também li um livro seu sobre a pós-modernidade. Indicação de um colega meu, professor na EST.
Te convido a visitar meu blog.

http://cabanadolui.blogspot.com

Abraços

psicologiadareligiao - janeiro 4, 2010

Olá, Luis,

De fato, a Psicologia da Religião é um campo muito interessante e, infelizmente, pouco explorado no Brasil. Ou seja, há muito o que pesquisar e muito a desenvolver em termos de estudos nessa área, em nosso país. O blog tem estado muito parado, mas espero que esse ano, através do nosso Grupo de Pesquisa, ele seja mais dinamizado.
Obrigada pelo convite para visitar seu blog.
Um abraço,
Mary


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