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Juventude e religiosidade: cartografia dos processos de subjetivação de jovens católicos em uma comunidade de fé outubro 31, 2012

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Autores: Mary Rute Gomes Esperandio, Alexsander Cordeiro Lopes

Este estudo apresenta os resultados de uma pesquisa motivada pela constatação de que muitas subjetividades juvenis católicas do Brasil vivem uma situação de fragmentação que faz emergir distintos grupos identitários e em graves conflitos no seio das comunidades de fé. Por meio da realização de uma pesquisa-intervenção numa paróquia católica na região metropolitana de Curitiba, procedeu-se uma cartografia dos processos de subjetivação (criação de modos de existência) da juventude católica nesta comunidade. Pretendeu-se com a cartografia, colocar em evidência tanto o modo como tais processos de subjetivação são forjados, quanto as linhas de fuga presentes nesses processos. A utilização da pesquisa-intervenção como tática para a realização da cartografia nos permitiu constatar que, mesmo no interior dos grupos identitários, há brechas no instituído por onde se pode fazer passar outras intensidades com vistas à promoção de modos de existência menos fechados e mais afirmadores de uma unidade que não abre mão da pluralidade e da diferença.

Para ler o artigo completo, acesse:

http://periodicos.pucminas.br/index.php/horizonte/article/view/P.2175-5841.2012v10n26p476/4087

Saúde e Espiritualidade – o mais recente enfoque em Programa de Pós-Graduação em Saúde Brasileira outubro 23, 2007

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Com surpresa tomei conhecimento, pela internet, do Programa de Pós-Graduação em Saúde Brasileira, da Universidade Federal de Juiz de Fora. Sem dúvida, trata-se de uma novidade que vem atender uma demanda que vinha sendo negligenciada no campo das pesquisas acadêmicas no Brasil. Vários programas de Pós-Graduação em Saúde e Saúde Coletiva, a exemplo da maioria dos cursos de Psicologia, fecham os olhos ao tema da religiosidade/espiritualidade (como se saúde nada tivesse a ver também com questões referentes à espiritualidade, apesar do Brasil ser um país tão religioso e constatarmos na prática clínica, sofrimentos profundamente relacionados à questões de caráter religioso/espiritual). As pesquisas sobre Religião e religiosidade têm se restringido bastante às áreas da Teologia, Ciências Sociais, Antropologia e Sociologia. Faz falta a perspectiva da Psicologia e da Psiquiatria e mesmo da Medicina e da Saúde. Era tempo da academia acordar para a pesquisa nessa área!

O professor Alexander Moreira de Almeida, coordenador do Programa faz a seguinte observação:

Estudar cientificamente a espiritualidade é uma empreitada muito entusiasmante e perigosa.Essa é uma área repleta de preconceitos, preconceitos a favor e contra a espiritualidade. A maioria das pessoas tem opiniões sobre o tema, mas habitualmente essas opiniões foram formadas sem uma análise aprofundada das evidências disponíveis. É fácil deslizar, por um lado, para um ceticismo intolerante e uma negação dogmática ou, por outro, para uma aceitação ingênua de afirmações pouco fundamentadas. Não importa se possuímos crenças materialistas ou espirituais, atitudes religiosas ou anti-religiosas, necessitamos explorar a relação entre espiritualidade e saúde para aprimorar nosso conhecimento sobre o ser humano e nossas abordagens terapêuticas.”

Acesse também, o artigo de Harold G. Koening, sobre: Religião, espiritualidade e Psiquiatria: uma nova era na atenção à saúde mental

Mais informações sobre o Programa em Saúde Brasileira podem ser encontradas no ítem 4 da página Instituições.

A prevalência de Transtornos Mentais entre ministros religiosos – uma pesquisa na interface Psiquiatria e Religião setembro 11, 2007

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Dez anos atrás, o Prof. Dr. Francisco Lotufo Neto apresentou uma tese de pós-doutorado (Livre-docência para a Faculdade de Medicina da USP) onde investiga a prevalência dos transtornos mentais entre ministros religiosos. Uma das conclusões do prof. Lotufo Neto foi a de que

A religião, uma variável que influencia a saúde mental, está sendo negligenciada pela psiquiatria nos seus estudos e programas de tratamento e prevenção.

Observação semelhante foi colocada por um dos Grupos de Trabalho no VI Simpósio de Psicologia e Senso Religioso – 2007, apontando que a negligência do estudo da Religião/religiosidade se faz sentir por sua ausência na grade curricular dos Cursos de Graduação em Psicologia. É verdade que poucos são os cursos de Psicologia que oferecem a disciplina Psicologia da Religião em seu currículo, nem mesmo como disciplina optativa. Está aqui um dado que pede uma reflexão consistente a respeito.

Segue o resumo do trabalho do Dr. Francisco Lotufo Neto, que também pode ser acessado no site do CPPC.

Psiquiatria e Religião: A prevalência de Transtornos Mentais entre Ministros Religiosos

O campo é vasto e foi necessário delimitá-lo. Optou-se pelos estudos psiquiátricos a respeito da religião que tiveram a preocupação de testar uma hipótese, de estudar a relação entre transtornos mentais e religião de forma empírica. Por isso, deixou-se de lado a imensa quantidade de literatura muito rica, mas contendo apenas reflexões e opiniões a respeito. Este trabalho divide-se em duas partes. Na primeira deu-se uma introdução sobre os principais conceitos acerca de religião, espiritualidade e fé, além de definir os diferentes tipos do uso da expressão saúde mental. A seguir examinou-se as características da religião que pode ser prejudicial à saúde mental. Apresentou-se os diferentes mecanismos pelos quais a religião pode influenciar a saúde e detalhou-se o que os trabalhos mostram sobre a relação entre religião, saúde física, bem-estar e os diferentes transtornos mentais. Os problemas metodológicos do estudo da religião na psiquiatria foram abordados e as principais recomendações encontradas na literatura detalhadas. Na Segunda parte, resumiu-se a literatura sobre transtornos mentais em ministros religiosos, ficando evidente que o tema foi muito pouco estudado. Os trabalhos são antigos, de muito antes do início de cuidados como critérios e instrumentos diagnósticos. Examinou-se também a literatura sobre os fatores de estresse na vida do sacerdote.

Métodos
Para investigar a prevalência de transtornos mentais em ministros religiosos cristãos, não católicos, moradores da cidade de São Paulo, 750 questionários contendo o “Self-Report Psychiatric Screening Questionnaire (SRQ-20)” e o “Inventário de Vida Religiosa” foram enviados pelo correio. Das 207 respostas, quarenta foram sorteadas e convidadas para uma entrevista com o “Schedule for Clinical Assessment in Neuropsychiatry” e uma entrevista aberta visando responder à Escala para Gravidade de Estressores (eixo IV do DSM-III-R).

Resultados
A prevalência de transtornos mentais no mês que precedeu a entrevista foi de 12,5%, e 47% receberam um diagnóstico quando a vida toda foi considerada. Os principais diagnósticos foram Transtornos Depressivos (16,4%), Transtornos do Sono (12,9%) e Transtornos Ansiosos (9,4%). Religiosidade do tipo intrínseco (onde a religião constitui um fim em si mesma, em que a pessoa “vive a sua fé”) foi associada com saúde mental. Problemas financeiros, problemas com outros pastores, conflitos com os líderes leigos da igreja, dificuldades conjugais, problemas doutrinários na igreja e sobrecarga de trabalho foram os fatores de estresse identificados mais importantes.

Conclusões
o A religião, uma variável que influencia a saúde mental, está sendo negligenciada pela psiquiatria nos seus estudos e programas de tratamento e prevenção.
o É necessário que o psiquiatra esteja familiarizado com a literatura sobre religião e conheça a religiosidade de sua clientela, para saber como utilizá-la clinicamente.
o Nas pesquisas, é necessário uma avaliação multidimensional, que a respeite em sua complexidade.
o Orientação religiosa intrínseca parece ser benéfica à saúde mental.
o Ministros religiosos cristãos não-católicos, residentes em São Paulo, têm uma prevalência aumentada de transtornos afetivos e ansiosos, e menor de abuso e dependência de álcool e drogas.
Tese de Pós-Doutorado (Livre Docência para a Faculdade de Medicina da USP), apresentada em 1997.

Para obter acesso ao estudo completo entre em contato por e-mail: franciscolotufo@uol.com.br

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