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I Seminário sobre Subjetivação Contemporânea e Religiosidade julho 4, 2009

Posted by psicologiadareligiao in Eventos, produção de sentido, produção de subjetividade, Religião e Sociedade, subjetivação contemporânea.
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Acesse os resumos dos trabalhos apresentados no I Seminário sobre Subjetivação Contemporânea e Religiosidade e I Mostra de Expressões Visuais da Religiosidade Brasileira!

PROCESSOS DE SUBJETIVAÇÃO CONTEMPORÃNEA DOS JOVENS CRISTÃOS Alexsander Cordeiro Lopes

CANÇÃO NOVA – UMA NOVA FORMA DE SER IGREJA NA PÓS MODERNIDADE – José Antônio Cunha

SUBJETIVAÇÃO CONTEMPORANEA, ARQUITETURA E RELIGIOSIDADE – O ESPAÇO ARQUITETONICO NA UNIÃO DO VEGETAL– Leonardo Gazzalle

A FORÇA DE ATRAÇÃO DO MOVIMENTO PENTECOSTAL SOBRE OS CATÓLICOS ENGAJADOS– Aracy Terezinha Martignoni

ESPIRITUALIDADE PARA A FORMAÇÃO DA VIDA CONSAGRADA EM TEMPOS PÓS MODERNOS – Madeline Pozzebon

A QUESTÃO DA SUBJETIVAÇÃO NA RELIGIOSIDADE PÓS MODERNA SEGUNDO MICHEL MAFFESOLI– Ivan Mizazuk

GENEALOGIA DO TRABALHO RELIGIOSO – ESTUDOS PRELIMINARES – Leandro Inácio leite

IGREJA DO SANTO DAIME – UM SINCRETISMO RELIGIOSO BRASILEIRO–  Jessé Luiz Cunha

RELIGIOSIDADE E ENFRENTAMENTO DA POSSIBILIDADE DE MORTE DE FAMILIARES EM UTI – Renate Vicente

BENZENDEIRAS, FÉ E CRENÇA – UM SANTO REMÉDIO – Documentário – Luis Gustavo do Nascimento

Exposição – LINKS CAMINHOS DE COMUNICAÇÃO COM O SAGRADO- Luiz Alberto Sousa Alves e Sérgio Rogério Azevedo Junqueira

Exposição – AS EXPRESSÕES DA ARTE SACRA E DA ARTE RELIGIOSA – O MURAL “LA HISTORIA DE LA SALVACIÓN”: UMA LEITURA FENOMENOLÓGICA – Márcio Luiz Fernández

Exposição -AS EXPRESSÕES DA ARTE SACRA E DA ARTE RELIGIOSA  – Iconografia – José Ricardo dos Santos

I MOSTRA DE EXPRESSÕES VISUAIS DA RELIGIOSIDADE BRASILEIRA

Mostra de Expressoes Visuais - 01

Mostra de Expressoes Visuais - 02

Expositores da Mostra - Jose e Leonardo

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I Seminário sobre Subjetivação Contemporânea e Religiosidade – I Mostra de “Expressões Visuais da Religiosidade Brasileira” junho 11, 2009

Posted by psicologiadareligiao in Pesquisas em Psic. da Relig., produção de subjetividade, Religião e Sociedade, Seminários, subjetivação contemporânea.
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Participe do evento! Veja os detalhes da programação e forma de inscrição abaixo.

Inscreva seu trabalho!!

Instruções para inscrição de Apresentação de Comunicação e/ou Mostra:

Os resumos (tanto das comunicações como da Mostra) deverão conter até 10 linhas. Fonte estilo Times New Roman, tamanho 12. O editor de texto deverá ser o Microsoft Word ou compatível. Deverão conter, nesta ordem: título, nome do preponente, titulação, instituição de origem, a instituição financiadora da pesquisa desenvolvida. O arquivo deverá ser encaminhado para o e-mail: mresperandio@gmail.com

INSCRIÇÕES: https://wwws.pucpr.br/sistemas_s/pucpr/academico/InscricaoExtensao/index.php?eve=5270&ehinternacional=N

PROGRAMA:

Dia 03.07. 09 – Sexta feira

13:30 – 14:00 – Boas vindas e apresentações iniciais

14:00 – 15:00 – Palestra: Novas Figurações Religiosas e Subjetivação contemporânea – Profa. Mary R. G. Esperandio

15:00 – 17:20 –  Apresentação de Comunicações

Dia 04.07.09 – Sábado – Manhã

8:30 – 10:00 – Mesa Redonda: Figurações Religiosas e Processos de Subjetivação: Conversando sobre a Mostra Visual

Profa. Renate Vicente (PUC-PR), Prof. Adriano Holanda (UFPR)  e Marcio Fernandes (PUC/Studium Theologicum)

10:20 – 12:20 –  Apresentação de Comunicações

Dia 04.07.09 – Sábado – Tarde

14:00 – 15:30 – Conferência – “A coragem de Ser” como desafio à subjetividade contemporânea – Dom Glauco Soares de Lima

15:30 – 15:50 – Intervalo

15:50 – 17:00 – Debate sobre a conferência

17:00 – 17:20 – Encerramento

Cartaz I Seminario

Narcisismo contemporâneo e a produção social do comportamento adicto abril 1, 2008

Posted by psicologiadareligiao in narcisismo, produção de subjetividade, subjetivação contemporânea, Winnicott.
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Reproduzo aqui, uma reflexão de Contardo Calligaris, publicada na Folha de São Paulo – de 22.11.07. No texto, Calligaris chama a atenção para a produção contemporânea do comportamento adicto em suas mais diversas expressões: desde o consumo de objetos vários, às diferentes drogas alucinógenas. Na tentativa de supressão do sofrimento a qualquer custo, e frente ao desejo de completude absoluta, parece que “os objetos de consumo são a melhor escolha; sobre eles temos um controle absoluto”.

As drogas propriamente ditas oferecem algumas vantagens marginais: são baratas e, graças à crise de abstinência, garantem a ilusão de dominar perfeitamente a alternância de insatisfação e contentamento. Mas, na verdade, para Narciso no país das maravilhas, qualquer objeto de consumo serve.

Segue o texto completo de Caligaris.

Narciso no país das maravilhas

A maioria dos objetos são drogas: satisfazem um anseio parecido com o do toxicômano

ESSE É o subtítulo de um estudo publicado recentemente (2006) pela Routledge, “The Self Psychology of Addiction and its Treatment” (a psicologia-do-self da adicção e de seu tratamento). Os autores, Richard Ulman e Harry Paul, são psicanalistas (da psicologia do self, a escola de Heinz Kohut), terapeutas de toxicômanos e eles mesmos drogadictos em remissão.
O estudo, embora estritamente clínico, propõe uma visão da toxicomania que, ao meu ver, vale como interpretação geral da modernidade. Explico.
Na laboriosa tentativa de encontrar um lugar no mundo, cada um de nós se alimenta de duas fontes: 1) as aspirações, as normas e os brasões transmitidos por nossos ascendentes, coisas que podem nos dar a sensação de que temos uma missão na vida; 2) o amor, mais ou menos incondicional, que nos acolhe e agasalha nos primórdios de nossa existência permitindo, aliás, que ela vingue.
Em suma: legados paternos e cuidados maternos (é óbvio que qualquer um pode fazer função de pai ou de mãe).
Ora, na modernidade, bebemos sobretudo na segunda fonte. Por isso, somos todos narcisos, ou seja, mais preocupados em sermos gostados, amados e admirados pelos outros do que com deveres e princípios.
Problema: em geral, o modelo do amor graças ao qual seríamos “alguém” (que sempre significa “alguém muito especial”) é o momento em que, pendurados ao peito materno, ou melhor, com a mãe pendurada aos nossos lábios, estaríamos ao centro de um mundo controlado por nós: basta chamar, chorar etc. para que ela apareça e nos faça felizes.
Logicamente, com esse sonho narcisista encravado no nosso âmago, torna-se difícil lidar com separações, frustrações etc. E, infelizmente, o mundo é um pouco mais cruel do que a mãe-padrão e sempre muito mais cruel do que a mãe mítica e escrava que gostaríamos de ter tido.
Como aprendemos a encarar perdas, danos e fracassos?
Quem lia as tiras de Charlie Brown, de Charles Schultz, deve se lembrar do cobertor que Linus carregava sempre consigo: quando as coisas não iam bem, ele agarrava o cobertor e chupava o dedo; era seu jeito de reencontrar, momentaneamente, a felicidade perdida. O cobertor de Linus é um exemplo perfeito do que D. W. Winnicott, um grande psicanalista, chamou de “objetos transicionais”: são objetos inanimados, mas que representam um amor do qual não conseguimos ainda nos separar.
Eles funcionam como o lápis entre os dentes do fumante que quer parar de fumar: não substitui o cigarro, mas, na luta para deixar o vício, oferece conforto nas crises de abstinência. Ou como a mamadeira da noite quando o desmame acabou há tempos, mas ainda bate, digamos assim, uma “nostalgia amorosa”.
À força de brincar com cobertores e chupetas, a gente deveria aprender a 1) dispensar cobertores e chupetas,
2) lidar com a precariedade da presença e do amor dos outros. Mas não é tão simples assim, até porque, nessa tarefa, o mundo não nos ajuda. Narciso vive no país das maravilhas, diante de uma imensa vitrina de objetos que nos prometem o seguinte: ao alcançá-los, ganharemos o amor, a admiração e (por que não) a inveja de todos. E alcançá-los é fácil -basta comprar: chocolate, relógios, charutos ou pacotes de férias.
Quem precisa de amores incertos com pessoas de verdade ou de objetos “transicionais” que as representem? Os objetos do consumo são a melhor escolha; sobre eles temos um controle absoluto.
As drogas propriamente ditas oferecem algumas vantagens marginais: são baratas e, graças à crise de abstinência, garantem a ilusão de dominar perfeitamente a alternância de insatisfação e contentamento. Mas, na verdade, para Narciso no país das maravilhas, qualquer objeto de consumo serve.
Poderia ser o melhor dos mundos, se não fosse por dois detalhes. 1) Se hesito entre um carro e uma amizade ou um amor, é bem provável que minha experiência afetiva seja miserável; 2) se espero a felicidade dos objetos, desaprendo a agir e a desejar. No próximo domingo é a primeira fase da Fuvest, e passei o ano dormindo no cursinho? Não é o caso de me desesperar, vou para o shopping comprar um sapato simplesmente “divino”.
Agora, falando sério, por que se opor à liberação das drogas? Afinal, a maioria dos objetos em venda livre satisfaz, no fundo, um anseio parecido com o do toxicômano. Relaxe e goze…

http://www1.folha.uol.com.br/fsp/ilustrad/fq2211200725.htm

 

Para entender Pós-Modernidade – cartografia da subjetividade contemporânea novembro 14, 2007

Posted by psicologiadareligiao in Eventos, Pós-Modernidade, produção de subjetividade.
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Convite

Quando escrevi o volume “Pós-Modernidade” compondo a série “Para Entender”, da Editora Sinodal, dei-me conta de ter feito nesse estudo uma “cartografia da subjetividade contemporânea”. O livro é de apenas 100 páginas, em dimensões de 12X 17 cm. Obviamente, não esgota um assunto tão complexo como é o da pós-modernidade, mas tendo como ponto de partida a arte brasileira, representada pela Antropofagia e pelo Tropicalismo, o assunto vai sendo apresentado em um modo que nos ajuda a compreender a polêmica em torno do tema e as (des)continuidades que compõem essa configuração que alguns teóricos caracterizam como pós-modernidade.

Queria apresentar neste post uma resenha do livro, mas em fins de semestre o tempo fica cada vez mais apertado. Farei isso num futuro próximo. Por enquanto, deixo aqui o convite para o lançamento do mesmo.

Você será muito bem-vindo/a! Apareça!

Subjetivação contemporânea e Religiosidade novembro 3, 2007

Posted by psicologiadareligiao in culpa, forças de narcisação, forças reativas de narcisação, Igreja Universal do Reino de Deus, narcisismo, produção de subjetividade, sacrifício, subjetivação, vergonha.
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Qual é o papel, a função, ou mesmo a utilidade da religião no modo contemporâneo de subjetivação? Em especial, numa configuração social cuja “política de subjetivação” (criação de modos de existência) volta-se essencialmente para o indivíduo, seu prazer e bem-estar, de que modo as atuais formas de expressão religiosa se dinamizam?

Lembremos, como bem observa Rolnik, que cada configuração sócio-histórica cria suas próprias “políticas de subjetivação” para sustentar o seu próprio sistema. Ou seja, cada regime cria suas variações a respeito do lugar do outro e da política de relação que com ele se estabelece. Evidentemente, as religiões também participam das políticas de subjetivação vigentes – quer seja na promoção de uma religiosidade voltada à deglutição acrítica e reprodução do mesmo – quer seja pela potência de criação de alternativas de outros modos de existência. É claro que entre um pólo e outro, existem várias outras formas.

No texto: “Narcisismo reativo e experiência religiosa contemporânea” , faço uma análise da experiência religiosa promovida pela Igreja Universal do Reino de Deus (IURD), especialmente a partir da sua proposta de sacrifício (do dinheiro). Trabalho, no texto, com a “concepção de narcisismo ativo e reativo e defendo a idéia de que a prática do sacrifício, tal como proposta pela IURD, articula elementos do narcisismo reativo e estabelece-se como uma tecnologia do eu, usada como remédio para lidar com a experiência contemporânea da vergonha” (Esperandio, 2007, p. 19).

O texto foi publicado na Revista Psicologia & Sociedade, vol. 19, nr. 2. e você pode acessá-lo aqui: “Narcisismo reativo e experiência religiosa contemporânea: culpa substituída pela vergonha?”

Nas palavras da editora Cleci Maraschim, este número da Revista Psicologia & Sociedade “traz novamente uma série de artigos de pesquisadores que trabalham no campo da Psicologia Social e em suas interfaces com as Ciências Humanas, Sociais”. Você pode ter acesso ao conteúdo completo da revista, que está disponível também em formato online em: http://www6.ufrgs.br/seerpsicsoc/ojs/viewissue.php?id=14

“Fazer multidão”: o desafio prático da teorização negriana do Comum outubro 30, 2007

Posted by psicologiadareligiao in Antonio Negri, comum, multidão, produção de subjetividade, subjetivação.
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Abrindo a reflexão…

No começo deste ano, encontrei a seguinte frase de Deleuze num blog:

“Os modos de vida inspiram maneiras de pensar, os modos de pensar criam maneiras de viver.”

Como não havia referência sobre o lugar de onde a frase havia sido retirada, escrevi ao proprietário do blog perguntando. Ele não apenas me deu a referência exata: “DELEUZE, G. – Nietzsche. Lisboa: Edições 70, 1994. p.17-18, como me mandou o livro de presente, pelo correio – o livro viajou de Minas Gerais a Porto Alegre. O gesto do prof. Eduardo Simonini me comoveu.

Faço uma ponte desse acontecimento com um outro, para fomentar a reflexão…

Foi em meio a um estudo mais aprofundado sobre Pós-Modernidade – que resultou na publicação do livro “Para entender Pós-Modernidade” (da série: Para entender – da Editora Sinodal) – que os conceitos de multidão e de comum, de Negri, fizeram um novo sentido pra mim. A despeito de várias críticas que tenho lido sobre o pensamento de Negri e Hardt, esses autores, juntamente com Virno, Lazzarato, Cocco e mais alguns outros, têm sido, em minha opinião, alguns dos pensadores da atualidade cuja reflexão teórica possibilita dialogar com distintos campos de saber, como a Tecnológica-Informacional e as diferentes áreas no campo das Humanas (inclusive a Psicanálise) no sentido de pensar alternativas possíveis à produção maciça de empobrecimento da subjetividade na contemporaneidade.

Qual a potência constituinte dessas noções de multidão e comum no que diz respeito a invenção de outras alternativas face a subjetivação contemporânea que contempla a hiperindividualização, a competição, o auto-interesse, a troca baseada no lucro sobre o outro?

Alguns subsídios para pensar a questão…

1. Sobre a noção de multidão

Em Gramática da Multidão, Virno observa que foi sobre o racionalismo moderno que se construiu, entre outras narrativas, a idéia de povo. Para ele,

a alternativa entre ‘povo’ e ‘multidão’ esteve no centro das controvérsias práticas (fundação do Estado centralizado moderno, guerras religiosas, etc.) e teórico-filosóficas do Século XVII. Esses dois conceitos em luta, forjados no fogo de agudos contrastes, jogaram um papel de enorme importância na definição das categorias sócio-políticas da modernidade. A noção de ‘povo’ foi a prevalecente. ‘Multidão’ foi o termo derrotado, o conceito que perdeu” (Virno, 2003, online).

Não nos esqueçamos: foi ancorado na idéia moderna de “povo” que o mundo assistiu ao quase extermínio de todo o povo judeu!!

Virno faz as seguintes observações contrapondo povo e multidão:

“o povo tende para o Uno. Os ‘múltiplos’ derivam-se do Uno. Para o povo, a universalidade é uma promessa; para os ‘múltiplos’, é uma premissa”. E cita Hobbes: “o povo é um Uno, porque tem uma única vontade e, a quem se lhe pode atribuir uma vontade única” (apud Virno, 2003, online).

A multidão pode tomar diferentes formas: a de povo (com uma identidade) a de massa (homogênea) e a forma da multidão: “uma multiplicidade de singularidades”.

“a multidão é a forma de existência política e social dos muitos enquanto muitos: forma permanente, não episódica nem intersticial” (Virno, 2003, online).

Negri, por sua vez, afirma: “cada corpo é uma multidão”. Contudo, esse corpo só existe em relação com o outro. Multidão é, então, “um conjunto de singularidades cooperantes que se apresentam como uma rede, uma network, um conjunto que define as singularidades em suas relações umas com as outras” (Negri, 2005, online).

2. Sobre o comum…

Dois momentos de um processo…

Primeiro – Quem não se recorda dos acontecimentos em Paris, no final de outubro e começo de novembro de 2005? Na periferia de Clichy-sous-Bois, cidade localizada na região metropolitana de Paris, acontece um assalto e o proprietário chama a polícia. A polícia vê dois adolescentes negros e se aproxima para checar informações. Embora nada tivessem a ver com o ocorrido, por medo dos policiais os adolescentes fogem. Na fuga, morrem eletrocutados ao tentarem se esconder num transformador de energia. Esse acontecimento faz irromper toda uma fúria reprimida e durante dias seguidos, começa uma onda de queima de carros como forma de um protesto raivoso contra as mortes dos adolescentes. Há um contágio dessa violência que passa a tomar forma de expressão em diferentes regiões do país.

Sobre isso, o prof. Malini escreve no texto de defesa de sua tese de doutoramento:

Na Internet, um dos amigos das vítimas acaba criando um blog para homenageá-las, o “Bouna et Zied”, estampando o slogan que marcou o acontecimento: Mort pour Rien (Mortos à toa). A Polícia acusa o blog de estimular as manifestações violentas da juventude pobre nas periferias. E o site é retirado do ar pelo seu servidor. O mesmo se repete com outros blogs, que passaram, num primeiro momento, a emitir opiniões e manifestos sobre a morte de Bouna e Zieda; e depois para emitir um boletim sobre o como havia sido o protesto naquele dia. Mais de 1700 blogs debatem o tema, sem contar a diversidade de publicações e listas de discussão online. Muitos blogueiros são interpelados pela Polícias que os enquadram na lei francesa por atos criminais. A nova lei penal francesa pune aqueles que fazem, por meio da comunicação eletrônica, provocações que surjam efeitos na sociedade.

(…) A revolta da periferia logo chega no Youtube e no DailyMotion, onde são hospedados mais de 1000 vídeos relacionados ao caso. Juntos esses filmes foram exibidos alguns milhões de vezes. E ainda continuam lá, provocando debates, comentários e novas exibições. Houve ainda a publicação de entrevista, na forma de áudio, audiovisual ou texto escrito, com os pais dos adolescentes e os jovens que participam do conflito, em vários pequenos jornais de alcance regional e comunitário. É uma explosão de sentidos que escapam aquela velha lógica da repetição da mesma informação nos veículos de comunicação de massa, a circulação circular da informação que falava Pierre Bourdieu, haja visto o fato de nós, jornalistas, nos pautarmos muitas vezes pelo o que os outros jornais estão agendando. (…)

Paralelo a isso os jornalistas tinham dificuldades de entrar na zona de combate, e de dentro, jovens se comunicavam pelo celular para resistir a Polícia e continuavam a publicar conteúdos na Internet e a estimular a participação da sociedade, agora em nível global, sobre o significado do conflito.

Segundo – Ontem, a Rede Globo exibiu no Fantástico uma reportagem feita por Regina Casé, a respeito de como vive essa comunidade, hoje. Os registros dos acontecimentos daquela época foram organizados em forma de um vídeo-documentário, com finalidade de mostrar ao mundo uma outra versão dos fatos, narrada na perspectiva dos próprios participantes.

A identificação com o outro – base onde se pode construir o comum – pode tanto se expressar em um viés destrutivo (de si e do outro) quanto afirmativo, criador e produtor de outras singularizações.

Para continuar pensando…

Talvez uma das dificuldades de fazer a passagem do “ser multidão” para “fazer multidão” tenha a ver com nossa fraca capacidade de criação de outras formas de pensamento (me lembro da citação de Deluze, no início desse post) e de relação com o outro, a fim de que a base de identificação entre singularidades potencialize um “comum” afirmativo de outras existencialidades possíveis – um comum que extrapole crenças religiosas, assunção intelectual de teorias filosófico-ideológicas, idealizações de diferentes espécies, etc…

Quais outras dificuldades ainda poderíamos listar? Compartilhe aqui a sua idéia… quem sabe poderemos construir alguma coisa bela sobre uma base comum?

Se vc quiser acessar a “Gramática da Multidão – Para uma análise das formas de vida contemporâneas”, de Paolo Virno, acesse o site: http://br.geocities.com/autoconvocad/gramatica_da_multidao.html

Para ler a entrevista com A. Negri onde ele menciona o “ser multidão” e “fazer multidão, acesse o site: http://www.universidadenomade.org.br/full_text.shtml?x=2574

Além da entrevista, vc pode acessar também a palestra de Negri sobre: AConstituição do Comum

O texto do Prof. Malini está em: http://fabiomalini.wordpress.com/2007/04/29/o-comunismo-das-redes/
(Texto completo onde o Prof. Malini narra os eventos acima: Comunismo das Redes)

 

 

Produção de Subjetividade e Nobel da Paz 2007 – Parte II outubro 19, 2007

Posted by psicologiadareligiao in Al Gore, Antonio Negri, ética, Nobel da Paz, produção de subjetividade, Religião e Sociedade.
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“Toda uma dinamização da retomada de confiança da humanidade em si mesma está para ser forjada aos poucos. O ideal é dificultar o pessimismo e a passividade que nos envolvem”. F. Guattari.

No Post anterior, levantei a questão sobre o que o prêmio Nobel da Paz 2007 pode ter a ver com a Psicologia da Religião. Antecipei que o ponto em comum que merece ser pensado é o da produção de subjetividade – a partir da perspectiva da ecologia – e as relações possíveis com a Teologia (em particular a cristã).

A entrevista com Berge Furre, vice-presidente do Comitê Nobel, nos forneceu alguns dados sobre o trabalho do Comitê e as razões da escolha do nome de Al Gore e IPCC (Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas) como os laureados pelo Nobel da Paz neste ano. O comitê entende que “a questão do clima é um dos problemas mais importantes da humanidade”, e Al Gore “tem capacidade para proclamar ao mundo sobre essa ameaça [do aquecimento global] e agora temos um porta-voz para acordar a todos sobre esta questão. Assim, ‘acordar’ o mundo sobre esse problema foi a razão que levou o comitê a colocar esse tema no centro dos interesses mundiais”.

Várias pessoas questionam a legitimidade do prêmio Nobel da Paz para Al Gore/IPCC, lançando dúvidas sobre as intenções políticas motivadoras do trabalho que Al Gore realiza. Não me parece profícua essa discussão quando qualquer neófito pode constatar, sem a mínima reflexão, apenas com a percepção do senso comum, a verdade dos fatos apontados por Al Gore. Tem havido, sim, e muito mais rápido do que se pensava algum tempo atrás, uma mudança climática com efeitos devastadores sobre o planeta, ameaçando a própria continuidade da vida na terra. Portanto, no debate proposto aqui, não cabe perder tempo com atitudes pré-concebidas. Vale a pena abrir um espaço de escuta ao que ele está dizendo e fazendo.

O que me parece importante pensar – e aqui, sim, começamos a visualizar o que isso pode ter a ver com a Psicologia da Religião – é a reflexão sobre as bases, as estratégias, o alcance e os efeitos do trabalho e luta de Al Gore. Seu fazer carrega a potência criadora de uma outra realidade. A luta de Al Gore parece trilhar o caminho do “poder constituinte” – que emprega as energias em uma política de subjetividade que escapa à lógica do poder constituído. O poder constituído produz uma configuração social que expressa, com seus valores essencialmente capitalistas, uma perspectiva reducionista da vida. Al Gore chama a atenção: “Isto não é uma questão política, mas é, sim, uma questão moral” (This is really not a political issue, so much is a moral issue”). Qual é a ” inconveniência” da verdade de Al Gore? Ele a resume na frase: “Nossa capacidade de viver é o que está em jogo, é o que estamos prestes a perder” (“Our ability to live is what is at stake”). Veja aqui o trailer do documentário. A verdade inconveniente de Al Gore é que no fundo ela aponta para a necessidade da criação de outros modos de vida, de outras condições de existência, para além da perspectiva da exploração e do lucro. Ela aponta para a necessidade de criação de outras políticas de subjetividade porque não se escasseiam apenas os recursos naturais que dão condições para a vida. Empobrece-se também de subjetividade. O documentário de Al Gore incide sobre o desejo – “a força determinante nos processos de constituição do político e da formação do social”, como pontua Negri.

Perceber o trabalho de Al Gore como um fazer que trilha os caminhos do poder constituinte é reconhecer que sua estratégia de luta busca “fazer multidão” (multitude) . Incidindo no desejo, Al Gore convoca a potência criadora presente nas singularidades que constituem a multidão. Estamos tomando aqui, a noção negriana de multidão, intimamente ligada à construção do comum. Multidão, para Negri, “é o reconhecimento de que por trás de identidades e diferenças, pode existir ‘algo comum’ – (…) entendido como proliferação de atividades criativas, relação ou formas associativas diferentes” (Negri, 2003, p. 148). Neste sentido, o ser multidão se expressa no fazer multidão através da cooperação, do trabalho que se produz em comum, que se forma e se prolifera através das redes. Trata-se portanto, de um dispositivo de guerra contra a forma como o capitalismo atual se configura. Nesse ponto creio ser necessário fazer jus ao que Guattari já dizia desde 1990, com a publicação do seu trabalho “As três Ecologias”.

A meu ver, a luta de Al Gore se aproxima das reflexões de Guattari no ponto em que ambos colocam em evidência que o que está em questão é a degradação da vida no planeta – no sentido ambiental, sim, mas também na dimensão individual e coletiva. E essas três ecologias – a do ambiente, a do social e a da subjetividade – como Guattari coloca, são indissociáveis, sofrem os mesmos processos de degradação e devem ser, por isso, alvo de nossa luta hoje.

Em 2001, o teólogo Leonardo Boff ganhou o Prêmio alternativo da Paz, em Estocolmo, por “articular ecologia, justiça social e espiritualidade em seu livro “Ecologia: Grito da Terra, Grito do Pobre”, publicado em 1995. Neste livro, Boff também aborda as três ecologias: ambiental, social e mental, e acrescenta ainda, uma “ecologia integral”. Boff desenvolve uma Teologia (cristã) que enfoca a mensagem bíblica de libertação integral: do planeta, das relações sociais e da subjetividade aprisionada nos modos dominantes de existência.

Penso que a Psicologia da Religião em muito pode contribuir com a reflexão sobre os processos de produção de subjetividade contemporânea, especialmente quando traz para o debate, a produção de determinadas expressões de espiritualidade assentadas nos mesmo valores capitalistas de exploração e lucro, que Al Gore denuncia com sua “verdade incoveniente”. Não falta em nosso país tão religioso, exemplos de grupos e instituições produtoras de uma subjetividade religiosa capitalística. Precisamos, sim, “lutar pela instauração de novos sistemas de valorização que não tenham como único critério o lucro. Há outras espécies de rentabilidade possíveis e necessárias, nos lembra Guattari, como por exemplo, uma rentabilidade estética [ambiental], social e de desejo [subjetividade]”(Rolnik, online, “ética do real”).

Leia também, a resenha de Suely Rolnik, do livro “As três ecologias”, de Felix Guattari – Ética do Real

Acesse, também, a versão do livro de Guattari, em espanhol, Las Tres Ecologias, em: http://static.scribd.com/docs/jrudjl05wu71b.pdf

Produção de subjetividade e Nobel da Paz 2007 – Entrevista com o vice-presidente do Comitê Nobel outubro 17, 2007

Posted by psicologiadareligiao in Al Gore, Nobel da Paz, produção de subjetividade.
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Talvez alguns se perguntem o que tem a ver o Nobel da Paz – 2007 e a Psicologia da Religião. O ponto em comum que merece ser pensado é o da produção de subjetividade – a partir da perspectiva da ecologia – e as relações possíveis com a Teologia (em particular a cristã).

Quero dividir esse tema em duas postagens. Nesse primeiro post vou colocar apenas a entrevista que fiz com Berge Furre, vice-presidente do Comitê Nobel. Penso que é importante conhecer um pouco sobre o Prêmio Nobel, para depois seguirmos com a reflexão proposta.

Berge Furre é historiador e professor de História da Igreja na Universidade de Oslo. Aposentou-se este ano, mas continua com trabalho de orientação a estudantes no Programa de Doutorado. Tive o privilégio de ser aluna do professor Berge (no Mestrado e Doutorado) e, também, de trabalhar com ele num Projeto de Pesquisa Internacional – RIGA – Religion in a Globalized Age – no período de 2001 a 2005. A pesquisa, enfocando a relação entre processos de globalização e religião, foi realizada em 7 países, entre eles o Brasil. Fui a pesquisadora brasileira engajada no projeto. A pesquisa no Brasil, sob a coordenação do Prof. Berge, foi sobre a Igreja Universal do Reino de Deus. Além de historiador e professor, Berge é também pastor luterano e um político muito respeitado na Noruega. É membro co-fundador do Partido Socialista de Esquerda. A entrevista foi concedida por e-mail.

Você poderia falar um pouco sobre o Comitê Nobel, o modo como este funciona, os “bastidores” do processo de escolha do Nobel da Paz?

O comitê Nobel tem cinco membros designados pelo parlamento Norueguês (Stortinget). Quatro são ex-políticos (do parlamento ou do governo). Um membro, o presidente, é professor e médico. Todos têm experiência política, mas agora, como membros do Comitê, nenhum deles faz parte do parlamento ou do governo. Os membros são todos “livres” – pessoas independentes – sem relações formais a partidos. O trabalho do comitê é baseado no princípio da unanimidade – “consensus”. Nós temos discussões vivas durante o processo de escolha, mas buscamos sempre a unanimidade no comitê. Sobre o modo como trabalhamos, o que eu posso dizer é que os nomes têm de ser apresentados até o dia 1º de fevereiro. Qualquer membro de qualquer governo, qualquer parlamentar, ou outros grupos, podem apresentar candidaturas. Neste sentido, é muito fácil haver uma candidatura e por isso a lista é grande. No início de cada ano, recebemos uma lista de quase 200 nomes e começamos as discussões para ir diminuindo o número dos concorrentes. Nós temos ajuda de especialistas noruegueses, mas também consultamos alguns especialistas estrangeiros. Mais ou menos em junho, julho, a lista dos candidatos já está bastante reduzida e trabalhamos apenas com alguns nomes, para chegar, finalmente, a uma decisão que é anunciada, normalmente, em outubro, por volta do dia 10-12.

Por que o Comitê Nobel escolheu Al Gore/IPCC (– Intergovernamental Panel on Climate Change) para o prêmio deste ano?

O comitê escolheu a questão do clima como um dos problemas mais importantes da humanidade: O painel sobre clima, das Nações Unidas, mostra quatro relatórios cada vez mais assustadores. Trata-se de uma ameaça séria à vida no planeta. Al Gore é uma pessoa que tem trabalhado nesta área há mais ou menos 20 anos e baseia-se em relatórios científicos que apresentam a ameaça trazida pelas mudanças climáticas. Ele tem capacidade para proclamar ao mundo sobre essa ameaça e agora temos um porta-voz para acordar a todos sobre esta questão. Assim, “acordar” o mundo sobre esse problema foi a razão que levou o comitê a colocar esse tema no centro dos interesses mundiais.

Quais outras pessoas concorreram ao prêmio deste ano? Uma curiosidade: algum brasileiro/a foi nomeado para o Nobel este ano? Quem?

O comitê nunca publica nomes de outros candidatos. É um segredo nosso. Minha boca está fechada a “sete chaves”.

Provavelmente muitos têm curiosidade em saber por que o Nobel da Paz é concedido por um Comitê da Noruega, enquanto outros Prêmios Nobel são outorgados por um comitê na Suécia. Você poderia falar um pouco sobre isso?

O testamento de Alfred Nobel determina que os prêmios a pessoas ou instituições na área da Física, Medicina, Química, e Literatura sejam dados por comitês suecos. Alfred Nobel também declarou que o prêmio da paz seria escolhido pelo Parlamento Norueguês. Por que Suécia ou por quê outro país? Porque Noruega? Há diferentes teorias. Uma: Noruega e Suécia eram países unidos no período entre 1814-1905. A Noruega não tinha um Ministério das Relações Exteriores. O Ministério dos Negócios Estrangeiros ficava nas mãos do rei de Estocolmo na Suécia. Talvez, então, o sentido de ser a Noruega o país responsável de escolher o prêmio da paz resida no fato dela não ter uma política estrangeira. Desse modo, o prêmio não correria o risco de se “misturar” à política internacional da Suécia. Outra teoria: As relações entre Noruega e Suécia eram tensas (a união foi dissolvida em 1905). É possível que Alfred Nobel pensasse que desse modo – através do prêmio – as relações entre Suécia e Noruega pudessem ser fortalecidas.

Alfred Nobel, o criador do Prêmio Nobel da Paz, deixou escrito que o prêmio deveria ser outorgado a pessoas que reconhecidamente contribuíssem para a redução do armamento, para o fortalecimento da fraternidade entre as nações e para a promoção da paz mundial. Em 2004, a ganhadora do prêmio foi a queniana Wangari Maathai, conhecida por sua luta pelo ambiente. No ano passado, Yunus, idealizador do banco de microcréditos, conhecido pela sua luta contra a pobreza. Neste ano, Al Gore e IPCC, pela prática de uma política voltada às questões em torno da mudança climática. Trata-se de uma nova política de reconhecimento em torno da questão da promoção da paz no mundo?

Nas primeiras décadas, os prêmios foram outorgados a pessoas e organizações cujo trabalho tinham uma relação direta a conflitos de guerra. Mas em 1960, Albert Lutuli, da África de Sul, recebeu o prêmio por idéias voltadas aos direitos humanos (Apartheid). Passo a passo, o comitê escolheu laureates envolvidos não apenas em soluções de conflitos, mas também em áreas de direitos humanos e ambiente. Paulatinamente tem-se desenvolvido o entendimento da articulação entre direitos humanos, questões do ambiente em relação à promoção da paz. O comitê estende cada vez mais a área de abrangência do prêmio por compreendê-lo em uma perspectiva humana do mundo. No testamento de Alfred Nobel uma frase é especialmente importante na escolha do prêmio: “A confraternização dos povos”.

Alguns representantes religiosos, como Dalai Lama, Madre Teresa de Calcutá, Luther King, foram laureados com o Nobel da Paz. Vc é professor de História da Igreja na Faculdade de Teologia e é pastor luterano num país que tem uma religião estatal. A pergunta agora é para você como teólogo e membro do Comitê. É claro que a religião tem um importante papel na promoção da paz no mundo. Em sua opinião, quais seriam os principais desafios da religião hoje na promoção da paz?

De fato, muitos laureados têm uma relação à religião, como você aponta. É também um fato que em conflitos (de guerra, de direitos humanos, de ambiente), as soluções de paz muitas vezes tem um engajamento religioso. Muitas pessoas hoje falam do “retorno da religião”, pontuando o fim da “era do secularismo” . Não sei se é verdade e se há mesmo um “retorno da religião”. Em geral, a religião é uma “benção”. Entretanto, graves conflitos hoje têm elementos religiosos, especialmente na forma de fundamentalismo. Religião é um fenômeno “perigoso” quando está nas mãos de poderes. Posso mencionar Paquistão, Índia, Bósnia, Iran, Israel/Palestina.
Mas acho que a religião também pode ser um fator importante no fortalecimento das forças de paz e liberdade. Exemplo: África do Sul e a briga contra apartheid. Também acho que a religião pode “sobreviver” aos conflitos através do dialogo entre as religiões. Diálogo entre líderes religiosos e grupos
religiosos podem ajudar a construir a paz, a aumentar a tolerância e a compreensão entre povos e grupos religiosos. Os líderes religiosos tem uma responsabilidade importante neste mundo e têm responsabilidades, também, frente às questões da crise climática.

Obrigada, Prof. Berge, pela entrevista.

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Aconselhamento Psicológico e Aconselhamento Pastoral/Espiritual setembro 3, 2007

Posted by psicologiadareligiao in Aconselhamento Psicológico, Congressos, Pastoral Care and Counselling, produção de subjetividade, sacrifício, Seminários.
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Na manhã do sábado de 25 de agosto/2007, no VI Seminário de Psicologia e Senso Religioso, a professora Yolanda Cintrão Forghieri (USP) apresentou uma palestra maravilhosa sob o título: Aconselhamento Psicológico e Espiritualidade. A professora Yolanda tem publicado um livro onde ela apresenta o suporte teórico e prático do aconselhamento terapêutico. Todos os volumes que estavam disponíveis para compra durante o evento foram esgotados – isso já dá uma idéia do interesse que o seu tema despertou nos/as participantes. Na Europa, o Aconselhamento Psicológico/Terapêutico tem sido amplamente praticado por pessoas formadas em cursos específicos, sob a denominação de “Pastoral Care (or Spiritual Care) and Couselling”. Assim, um amplo material (de qualidade!) tem sido produzido em torno desse tema. E faríamos bem em olhar com mais atenção (com menos preconceito mesmo!) a reflexão que tem sido desenvolvida sob essa designação de “Pastoral Care and Counselling”.

Aproveito para contar que participei do VIII Congresso Internacional promovido pelo ICPCC – International Council on Pastoral Care and Couselling, nos dias 07 a 14 de agosto/2007, na Polônia, sob o título, “TREASURE IN EARTHEN VESSELS” – O enfoque foi sobre o cuidado espiritual diante do nosso contexto atual de fragilidade/vulnerabilidade e destruição (sob a perspectiva individual e sistêmica). Lá, apresentei um workshop, juntamente com o prof. Berge Furre (Universidade de Oslo – Noruega),  sob o título: “Pós-Pentecostalismo e o ‘sacrifício do dinheiro’: um remédio para lidar com a fragilidade da subjetividade no contexto do capitalismo mundial?”. O prof. James Farris (UMESP) também participou do Congresso e seu workshop foi sobre Sexualidade na tradição religiosa cristã e nas outras culturas. Ele levou para o debate questões sobre opressão e libertação, relacionadas ao dualismo Agape e Eros.

Segue, aqui, o texto apresentado no workshop – por enquanto, em inglês,  apenas.

Post-Pentecostalism and the sacrifice of money: a remedy to face fragility in the contemporary capitalist world order?

Ainda sobre Pesquisa em Psicologia da Religião setembro 1, 2007

Posted by psicologiadareligiao in culpa, narcisismo, Pesquisas em Psic. da Relig., produção de subjetividade, sacrifício, subjetivação, vergonha.
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Numa análise dos 8 grupos de trabalho que aglutinaram pesquisas em Psicologia da Religião, conforme apresentados no VI Seminário de Psicologia da Religião e Senso Religioso, pode-se depreender uma ausência importante de uma “linha” de pesquisa: a dos processos de subjetivação e produção de subjetividade. Meu interesse na pesquisa em Psicologia da Religião vai por essa via. Assim, apresentei um trabalho no Grupo 2: Psicologia, Experiência Religiosa e Cultura, por ser o GT onde minha pesquisa mais se aproximava. Mas descobri ali que esse referencial teórico sobre “subjetivação e produção de subjetividade” nem passa perto. A reflexão do GT se sustenta ainda numa “tensão” entre indivíduo e cultura – conforme o Coordenador do Grupo se expressou. Penso que está aí um campo de grande relevância a ser explorado. E estou a fim de perseguir esse caminho. Mas gostaria de fazê-lo acompanhada, de algum modo. Espero que outras pessoas que se interessem por esse tema façam contato, e juntos, possamos criar um trabalho de “multidão”, como diz o Negri, no sentido de construir algo novo a partir de uma base “em comum”. No GT, apresentei um trabalho sob o título: “Subjetividade Contemporânea, Sacrifício e Igreja Universal do Reino de Deus: culpa substituída pela vergonha?”. Este trabalho tem a ver com minha tese de doutorado, defendida no ano passado, na EST/IEPG. A tese é de domínio público, mas espero transformá-la em livro logo, depois de “enxugar” o conteúdo e diminuir o número de páginas. Creio que vale a pena fazer isso, pois o tema, “Narcisismo e Sacrifício – Modo de subjetivação e Religiosidade Contemporânea”, é de grande relevância para a reflexão a respeito do nosso modo de existência hoje. E então, alguém se habilita a trilhar esse caminho?